domingo, 27 de novembro de 2011

Saúde mental em desencanto


Complicado falar em saúde mental numa sociedade totalmente preconceituosa e que muitas vezes tem a aversão ao outro, ao diferente, infelizmente essa sociedade não conseguiu entender ainda que ser diferente e ter transtornos mentais é normal.
Escutar esse segmento se mostra como uma peça fundamental  para pessoas com transtornos mentais , pois ouvir é fundamental em termos de auto-afirmação, auto-estima e principalmente afeto. Como ficou demonstrado bem no ultimo encontro que tudo que eles precisam é disso. Infelizmente esse tal afeto  não pode encontrar em qualquer profissional e em quaisquer portarias Ministeriais, esta no desejo de cada ator em mudar a realidade que esta exposta e que todos ou pelo menos a metade já conhece bem.
Penso que temos que criar um modelo de atenção com uma representação verdadeira da realidade de saúde.
Temos que pensar um modelo que consiga dialogar com os movimentos sociais, que tenho bem delimitado as suas funções principais, que tenho uma perfeita organização das ações(não essa de apenas organizar filas), temos que ter uma gestão efetiva, um financiamento  condizente  com a realidade e com as ações que será desenvolvidas e por fim pensar em tecnologias.

Acho que é isso, ou pelo menos isso, uma breve reflexão de um Sanitarista.
          Paulo H. G . da Silva

                

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estigma


 Exemplos retirados do livro Estigma-notas sobre a manipulação da identidade deteriorada, de Erving Goffman.

O primeiro exemplo é um relato sobre situações pelo qual pessoas com deficiências mentais podem passar por causa de estigmas existentes. O segundo exemplo é sobre um aleijado. Neste exemplo podemos perceber que não há normalidade, não há porque estigmatizar as pessoas, pois os chamados "normais" podem estar atrás em relação a outras pessoas chamadas de "anormais".

No link abaixo podemos descobrir mais sobre o estigma da doença mental.

http://port201-primavera2010.blogspot.com/2011/03/o-estigma-da-doenca-mental.html

Boa noite a todos, Renéa Dayane.

domingo, 6 de novembro de 2011

3º Encontro


Bom dia, no nosso terceiro encontro  em  21/10 discutimos o texto Manicômio mental a outra face da loucura, com o professor Pedro.  Para o início da reflexão algumas perguntas foram lançadas: O que quer dizer o manicômio mental?  E logo surge a resposta :o manicômio não está fora da sociedade, numa sociedade sem manicômios quando a gente fala em desospitalizar. O manicômio mental é estar em casa sem que possa criar novos vínculos, e romper vínculos, é o que podemos chamar de morte social. Em uma metáfora podemos dizer que o manicômio mental é como um cachorro, que temos que está atentos pois a qualquer momento poderá mostrar sua ferocidade e te atingir em uma mordida sangrenta. Portanto pode-se dizer que a família do louco é a maior produtora de manicômio mental. Não basta acabar com os manicômios  e fornecer tarefas para esse indivíduo e abafar qualquer desrazão sem dar espaço para a loucura. Outra pergunta que nos indagou foi: O quanto você está disposto a ouvir desrazões? Existe espaço para desrazão? E o que nos impede é o chamado império da razão que está sempre na nossa frente impedindo que se abra qualquer espaço para as desrazões. Nosso instinto é sempre tentar entender, essa relação tá construída desde cedo, na escola , na família e na sociedade em geral. A sugestão seria pensar loucamente: entrar no mundo da desrazão. Não buscar racionalidade para ajudá-lo.  

Então desse nosso encontro surge a idéia de pensar uma desrazão e relatar no Blog. E a pergunta norteadora é : Até onde iria a  sua sanidade caso houvesse quebra de relações sociais? Quando você não tem em que se apoiar.

Thiara Café
Terapia Ocupacional 7º semestre



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Chove chuva chove...

Talvez uma das melhores formas seja acabar com a ditadura do guarda chuva!!!

- Formas de quê?, pergunta a formiga, o coelho e a tartaruga de uma fábula qualquer.

- Forma de tomar chuva, responde Nietzsche, para nós todos.



Quem conta a história para boi e vacas dormirem é o próprio do bigode grande.

Parte do Texto : A VERDADE E A MENTIRA NO SENTIDO EXTRAMORAL
Friedrich Nietzsche  1873
Houve épocas em que o homem racional e o homem intuitivo conviviam lado a lado, um com medo da intuição, o outro desprezando a abstração, sendo este último tão irracional quanto o primeiro era insensível com relação à arte. Ambos desejavam dominar a vida: o primeiro sabendo responder às necessidades mais imperiosas através da previsão, da engenhosidade e da regularidade; o outro, o herói transbordante de alegria, vendo nessas mesmas necessidades e admitindo unicamente como real a vida disfarçada sob a aparência e a beleza.
Lá onde o homem intuitivo, um pouco como na Grécia antiga, aplica seus golpes com mais força e eficácia do que seu adversário, uma civilização pode surgir sob auspícios favoráveis e a dominação da arte sobre a vida pode aí se estabelecer. Tal dissimulação, tal recusa da indigência, tal brilho das intuições metafóricas e sobre tudo tal imediatidade da ilusão acompanham todas as manifestações de uma existência. Nem a casa, nem o passo, nem a roupa, nem o cântaro de argila revelam qual foi a necessidade que os criou: parece como se em todos eles devesse exprimir-se uma felicidade sublime e uma serenidade olímpica, como que num jogo levado a sério.
 Enquanto o homem orientado pelos conceitos e pelas abstrações somente os utiliza para se proteger da infelicidade, sem retirar dessas abstrações, para seu proveito próprio, qualquer felicidade, enquanto ele se esforça para se libertar o máximo possível desses sofrimentos, o homem intuitivo, estabelecido no seio de uma civilização, retira, como fruto de suas intuições, além da proteção contra a infelicidade, uma clarificação, um desabrochar e uma redenção transbordantes. É verdade que ele sofre mais violentamente quando sofre e sofre mesmo mais frequentemente porque não sabe tirar lição da experiência e por isso cai sempre novamente na mesma vala em que já caíra antes.
Portanto, é tão desarrazoado no sofrimento quanto na felicidade; grita sem obter qualquer consolação. Como é diferente, no meio de um destino também funesto,  a atitude do homem estóico, instruído pela experiência e senhor de si graças aos conceitos! Aquele que ordinariamente só busca a sinceridade e a verdade só procura livrar-se da ilusão e proteger-se contra surpresas enfeitiçadas; aquele que experimenta na infelicidade a obra-prima da dissimulação, tal como o homem intuitivo na felicidade, este não tem mais o rosto humano sobressaltado e transtornado, mas leva uma espécie de máscara de admirável simetria de traços; não grita e não altera a voz. Quando uma boa chuva cai sobre ele, ele se envolve com o seu manto e se distancia com passos lentos sob a chuva.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Será que é Loucura?

Pintura: Metamorfose de Narciso - Salvador Dali

Por muitas vezes me deparo com perguntas que fogem sem deixar respostas, e sempre voltam pra me atormentar... O que eu sei? O que faz de mim a pessoa que eu acho que sou? Por que estou tão aflita com o "hoje" sendo que não sei do amanhã? Pra que se preocupar tanto? Pra que planejar tanto? Se por tantas vezes planejei e a vida mudou seu rumo... Como fazer certo? E se eu errar? Esses planos são meus mesmo? Eu conheço de verdade essas pessoas que eu acho que conheço? O que tem sentido? Existem respostas?...

Existe a complexidade dos seres, do mundo, viver definitivamente não é algo tão simples. Muitas vezes fugir do “padrão” estabelecido pelo sistema, pode se tornar um caos interno. E se eu estou fora dessa ordem, o que vai ser de mim? È muito mais fácil viver essa "ordem" do que tentar desordená-la, do que tentar ao menos questioná-la. Os questionamentos só irão acontecer dentro de mim, no meu “mundo”, no qual começo á ouvir outras vozes, a conversar comigo mesma na incessante busca de tentar entender o meu “eu”, as pessoas, o mundo... Até o momento em que me sinto sufocada, e com vontade de sair gritando as minhas indagações, quando me vejo contida em mim mesma, sem poder anunciar a minha desordem, a minha “loucura”... a minha desrazão.


 
Texto: Narciso Cego
Thiago de Mello
Tudo o que de mim se perde
acrescenta-se ao que sou.
Contudo, me desconheço.
Pelas minhas cercanias
passeio – não me freqüento.

Por sobre fonte erma e esquiva
flutua-me íntegra, a face.
Mas nunca me vejo: e sigo
com face mal disfarçada.
Oh que amargo é o não poder
rosto a rosto contemplar
aquilo que ignoto sou;
distinguir até que ponto
sou eu mesmo que me levo
ou se um nume irrevelável
que (para ser) vem morar
comigo, dentro de mim,
mas me abandona se rolo
pelos declives do mundo.

Desfaço-me do que sonho:
faço-me sonho de alguém
oculto. Talvez um Deus
sonhe comigo, cobice
o que eu guardo e nunca usei.
 Cego assim, não me decifro.
E o imaginar-me sonhado
não me completa: a ganância
de ser-me inteiro prossegue.
E pairo – pânico mudo -
entre o sonho e o sonhador.

Tássia Silva,
Graduanda em Terapia Ocupacional - 7º período

e o que dizer?



Acho que todo mundo na hora de vim escrever aqui se fez essa pergunta..
qual a minha desrazão? será que tenho? será que existe isso dentro de mim? é uma coisa que me pertuba ou que me faz bem ? ou os dois ao mesmo tempo? são minhas angústias, minhas expectativas ou o medo do futuro?

Eu particulamente não sei..
mas atualmente o que mais me intriga é essa confusão de sentimento, é a vontade de vencer e o medo de esperar tudo acontecer, dia pós dia.

E o que mais me pertuba de verdade é essa minha insônia de todos os dias, que faz piorar os pensamentos, faz eu fazer planos que são impossíveis, faz eu sonhar e ter pés no chão ao mesmo tempo. E faz eu também ir no banheiro de 10 em 10 minutos. :(

Tô me sentindo um pouco desarrazoada agora!

Mas quero entender essas minhas "neuroses", quero compartilhar a ideia e o conhecimento, quero viver cada minuto, quero sentir, e entregar-me. Ou nas mãos de Deus, ou a desrazão. Aos dois.
Viva a loucura de cada um!



Natália Madureira 
Graduanda de Terapia Ocupacional - 4º semestre